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"Disseram-me: verás quando tiveres cinqüenta anos. Tenho cinqüenta anos: não vi nada". Erik Satie
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27.2.08
Em pleno futuro
Já tive 15 anos de idade. Nessa época mudei de um colégio de freiras só pra meninas pra um colégio modernérrimo, com meninos e meninas misturados e sem religião nenhuma no meio. Música no recreio. Cachaça no mosca frita. Tínhamos 15 anos.
Até ter 15 anos eu não tinha tido um amigo-menino pra chamar de meu. Tinha, no máximo, vizinhos. Depois, sempre que pude, escolhi os homens. Pra tudo. Também, depois daquele isolamento involuntário a que fui submetida, o que seria de se esperar? Tive uma overdose de mulher! Amigas tenho poucas e boas. Amigos tenho muitos.
O André foi um dos meus melhores amigos, certamente o melhor-amigo-cabeça, com quem batia a melhor qualidade de papos intermináveis e investigava mundos que só interessavam a nós naquela idade: projeção astral, relaxamentos induzidos, parapsicologia, experiências fora do corpo, sintetizadores. O resto interessava a todo mundo: Osvaldo Montenegro, violadas, cinema em bando. Acho que ele não tomava batida de coco no Osvaldo, não gostava de disco music, de patinar e nem de Feira da Providência no Riocentro, onde a gente comprava um garrafão de vinho na barraca do Rio Grande do Sul. Depois a gente entrava num carro de alguém e ia beber o vinho e fumar maconha nos canteiros gramados do Novo Leblon, onde alguém morava. Esqueci dos detalhes daquelas noites, mas me lembro da minha sensação de solidão retumbante e do céu estrelado acima de nós, deitados na grama, o mundo a girar a girar a girar.
Eu amava e não era amada, me sentia a patinha feia rejeitada, me sentia excluída, era infeliz demais. Deprimida, escrevia coisas horríveis no diário. Poucas vezes na vida estive tão trancafiada nos pensamentos, com tanta vida interior insuspeita pela vista da superfície. O André sabia de tudo, ele era minha escuta preciosa, tinha “mentalidade” demais! Tentamos namorar. Não era namoro. Era amizade.
Depois ele namorou uma menina em Parnaíba, no Piauí. Eu ficava horas e horas ouvindo falar das maravilhas e agruras daquele amor distante. Eu sonhava com praias e dunas de areia branca, línguas de mar invadindo a terra, rios desaguando no mar, falésias, ventanias nos altos dos coqueiros, bandos de nuvens. Eu sonhava em ter, como ele, um amor tropical. Ele estudava piano. A cama dele era um mezanino no próprio quarto.
Hoje, fevereiro do ano da graça de 2008, ele acabou de sair daqui, da minha própria casa, quase 30 anos depois de todas essas emoções intensas, doloridas, traumatizantes, estruturantes, queridas. Ficamos cerca de 20 anos sem nos vermos e nos falarmos. Ele está mais careca. Está mais bonito. E está incrivelmente igual!
E nós dois sentamos aqui, nos olhamos, nos estranhamos, nos reconhecemos, nos abraçamos e ficamos horas e horas e horas falando sobre... ora, sobre coisas incríveis que ninguém entenderia, anyway. Perfeitamente sincrônicos, exatamente iguais ao que éramos, proporções mantidas. Que sorte boa, meu pai! Quase chorei de alegria e emoção. A vida, amigos, é foda!
3:51 AM
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23.2.08
fã
acabei de encontrar, casualmente, num bar, com um cara muito famoso, rico, gostoso, lindo, gente fina, sex symbol nacional, um cara que centenas de milhares de mulheres do Brasil (quase todas), gostariam de levar pra rua, pra chuva, pra fazenda e principalmente para uma casinha de sapê onde tivesse uma cama bem fofinha.
Ele falou assim, para a very blogueira que vos fala:
- O que eu queria mesmo era ir pra uma praia deserta com você...
Gente, eu não posso contar o nome dele, mas eu juro que foi verdade.
Voltei pra casa - do bar, não da praia deserta - pensando: "poxa, eu deveria estar prosa? deveria estar me achando?" Quer saber? Nem tô. Só vim aqui contar pra vcs porque eu to sem assunto... ahuahauhuahau
Não. Não é o Chico Buarque. Não é o *suspiro* Wagner Moura.
né esse tb, não, infelizly...
5:52 AM
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18.2.08
Bora lá?
Eu podia estar roubando, mas eu to aqui pedindo na moral.... É o seguinte, amigos leitores (futuros-ouvintes?). Vamos tocar numa casa nova na próxima sexta, aqui no Rio. Queremos conquistar o lugar, precisamos de público, de muita gente, de casa cheia e animada! Precisamos que eles precisem de nós! A minha parte eu garanto: o show é duca!
Curioso? Ouça aqui ó ou então aqui.
O Andréa Dutra Quarteto é aquele que tocou na Modern Sound aos sábados, de 2002 a 2007. Estamos em plena atividade, tinindo, trincando.
Estaremos nesta próxima sexta, dia 22, às 22h, no Conversa Afinada, uma nova casa de shows no terceiro andar do Conversa Fiada, na Vinicius de Moraes, 75, em Ipanema.
A formação é a mesma que estava tocando na Modern:
Andrea Dutra - voz
Paulo Malaguti - piano e voz
Augusto Mattoso - baixo
Cacá Colon - batera
teremos a participação do legendário percussionista Laudir de Oliveira, que tocou com o Chicago, com a Sarah Vaughan e o Jackson 5. Cascudo...
Tá, vc nao pode ir na sexta e ficou a finzão de ir? Ok! No sábado 23 estaremos no Esch Café, dentro do projeto Verão Mulheres, de cantoras de jazz. O Esch fica na Rua Dias Ferreira, 78 A - Leblon. O show começa tipo 22h, mas tem que chegar tipo 21h pra conseguir lugar.
Bom, era isso. Nós somos esses aí de baixo, nem sempre tão sérios.
Melhor assim?
3:05 AM
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8.2.08
quando penso em alguem só penso em você
Há muito tempo ele me perguntou: "Sabe aquela música do Legião que a Cássia canta, aquela "mudaram as estações, nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu..."? "Sei", eu respondi, "por quê?" Ele: "Vc tem essa pessoa? Essa "quando penso em alguem só penso em vc?"
"Tem" - eu disse - "mas acabou".
Ele fez uma cara assim: "Então não era uma pessoa "quando penso em alguem só penso em você"...
Fiquei pensando se era ou se nao era, e se existem mesmo pessoas definitivas assim, que atravessam a vida da gente sempre no camarote da lembrança, sempre na pole position, sempre favoritas, por quem se sonha largar tudo, em segredo. Pensei na cilada d'A Moreninha, que nos fez acreditar num breve que encaixe no nosso e faça shazam pra sempre! Ficamos tão frustrados. Não avisaram que os breves fazem shazam, mas têm prazo de validade. Me aflijo com a passagem do amor, com o fim das paixões. Lamento, profundamente, sua transitoriedade, embora ache as novidades renovadoras, rejuvenescedoras.
Estou aprendendo a cantar uma música linda, Cantada, da Adriana Calcanhoto. Me comove, fala de um sentimento muito conhecido meu. Já me vi naquela situação muitas vezes, sou romântica, facilmente encantável por natureza. Aprendendo a canção, emocionada com a simplicidade da sua lindeza, buscando referências para ajudar a tecer a interpretação, esbarro numa verdade desconcertante: não tenho uma pessoa "quando penso em alguem só penso em você" pra ajudar a desenhar essa canção dentro de mim. Vou ter que recorrer aos arquivos.
Preciso de uma pessoa "quando penso em alguem só penso em você", mesmo que seja só pra interpretar essa canção como ela merece: encantada, apaixonada...
Cantada
Adriana Calcanhoto
Depois de ter você...
Pra que querer saber
Que horas são
Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve uma canção
Como essa...
Depois de ter você
Poetas para que
Os deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas
Para que servem as ruas?
Depois de ter você...
Quer ouvir? A dica é: esta noite, no Conversa Fiada da Vinicius de Moraes, em Ipanema, 22h
5:20 AM
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2.2.08
pós-post
acabo de ser assaltada por um garoto de uns 25 anos, bem apessoado, certamente morador do Leblon, que inclusive já tinha tentado, sem sucesso, me assaltar numa outra ocasião. Hoje, trepado numa arma, valente que só, me assaltou na praia, qdo eu voltava da minha caminhada na areia. Levou meu celular (portanto não tenho mais o telefone de ninguem, mandem por email, please!!!!), e dinheiro. Aceleradaço, pediu meus anéis, uma aliança de prata, nada demais. Anel de prata? Qto ele consegue no anel? Certamente ele rouba pra comprar pó. Curiosa a proximidade do assunto, né? Logo aqui embaixo...
11:58 PM
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